LiteralMente


O nome dessa página é LiteralMente porque eu vou apenas postar aqui obras literárias.
Hoje eu vou falar sobre uma linda poesia de Carlos Drummond de Andrade.

Vou postar o poema Instante e, em seguida, postarei o vocabulário e darei toda uma visão minha às metáforas. E, por fim, minha conclusão. 

Instante
Uma semente engravidava a tarde
Era o dia nascendo, em vez da noite.
Perdia amor seu hálito covarde,
e a vida, corcel rubro, dava um coice,

mas tão delicioso, que a ferida
no peito transtornado, aceso em festa,
acordava, gravura enlouquecida,
sobre o tempo sem caule,  uma promessa.

A manhã sempre-sempre, e dociastutos
eus caçadores a correr, e as presas
num feliz entregar-se, entre soluços.

E o que mais, vida eterna, me planejas?
O que se desatou num só momento
não cabe no infinito, e é fuga e vento. 


Carlos Drummond de Andrade - Bibliografia: Carlos Drummond de Andrade - Antologia poética.

  Corcel 
1. Cavalo de batalha.
2. [Linguagem poética] Cavalo de raça.

 Rubro
Vermelho vivo, cor de sangue, de fogo.

 Caule
Haste. 
  • Interpretação
1ª Estrofe - Na primeira estrofe ele narra estar nascendo o dia. A semente, neste caso, seria o Sol. Este nascer pode ser interpretado como algo novo e bom, pois ao comparar o dia com a noite o poeta conduz o leitor a pensar nas diferenças das citações, e sabemos que estas diferenças são : o dia é claro e a noite é escura. Claro: coisas boas, escuro: coisas sombrias. Ele também fala que através de palavras de cobardia (hálito covarde) o ser narrado perdia o amor. Podemos entender que houve alguma discussão entre o ser narrado pelo Drummond e o seu amor (que seria o próprio narrador), pois foi através das palavras que ele (a) o (a) perdeu. Perdendo este amor a vida do personagem só piorava, com grosseria e raiva do amor que lhe foi tirado (me referindo ainda à vida). 

2ª Estrofe - Na segunda estrofe ele narra como é "bom" este "coice",que aliviava um pouco essa dor que o amor perdido lhe causou. Confessando, ao fim, que o "coice" que o tal "corcel rubro" lhe deu é uma promessa. Nessa parte ele também nos revela que o corcel rubro é uma pessoa, talvez sua amada. Podemos decifrar corcel rubro como uma pessoa grosseira e com raiva. Agora eu mudaria a última frase da minha interpretação da estrofe anterior para:  Perdendo este amor a vida do personagem só piorava. E sua amada, com grosseria e raiva, só lhe machucava os sentimentos.

3ª Estrofe - Na terceira estrofe ele diz que esta manhã era sempre assim (manhã sempre-sempre), e, com doçura e astúcia, partes dele corriam para resgatar o amor perdido que queria ser pego, mas chorava (não pude entender se isto foi uma contradição ou um suposto choro de alegria).

4ª  Estrofe- Nessa estrofe ele conclui a ideia trazida anteriormente. Questiona a vida, revelando um certo conflito com o tempo ao dizer que o que se decidiu num só momento é infinito e vago. Dá também grande importância às decisões, porque são infinitas e, como o vento que leva uma poeira ou conduz um barco de vela, as decisões também te conduzem.

  •  Conclusão
No poema Instante logo pelo título podemos perceber que se tratará do tempo. E é exatamente essa ideia tratada no poema inteiro: que um tempo, um instante ou momento apenas, pode levar-nos ao inimaginável destino. Ele da o exemplo de seu amor que foi perdido, e de como as decisões dela (e) o prejudicaram, deixando feridas na alma, que nunca se sararão. Eu gosto super deste poema, acho bem pensado, bem filosófico, bem elaborado, o Drummond soube expor suas ideias numa forma poeticamente certíssima!

Então gente, por hoje é só. Espero que tenham gostado!
beijos.

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